четверг, Август 10, 2006

Um trecho

Sionésio olhou mais, sem fechar o rosto, aplicou o coração, abriu bem os olhos. Sorriu para trás. Maria Exita. Socorria-a a linda claridade. Ela - ela! Ele veio para junto. Estendeu também as mãos para o polvilho - solar e estranho: o ato de quebrá-lo era gostoso, parecia um brinquedo de menino. Todos os vissem, nisso, ninguém na dúvida. E seu coração se levantou. - Você, Maria, quererá, a gente, nós dois, nunca precisar de se separar? Disse, e viu. O polvilho, coisa sem fim. Ela tinha repondido: - Vou, demais. Desatou um sorriso. Ele nem viu. Estavam lado a lado, olhavam para a frente. (...)

Sionésio e Maria Exita - a meios olhos, perante o refulgir, o todo branco. Acontecia o não-fato, não-tempo, silêncio em sua imaginação. Só o um-e-outra, um em-si-juntos, o viver em ponto sem parar, coraçãomente: pensamento, pensamor. Alvor. Avançavam, parados, como se fosse no dia de Todos os Pássaros.

[Rosa, Guimarães. Substância. In: Primeiras Estórias]